MOFUMBO: Pesquisas relataram que as folhas deste arbusto apresentam compostos com possível ação anticancerígena.

 

Nome científico: Combretum leprosum Mart.

Sinonímias: Combretum hasslerianum Chodat, Combretum leptostachyum Mart.

Família: Combretaceae.  

Nomes populares: Carne-de-vaca, cipaúba, cipiúba, mofumbo, mofumbo-branco, mufumo, pente-de-macaco, vaqueta.

Origem: é uma espécie neotropical, com ocorrência registrada apenas na América do Sul,

Descrição botânica: É um arbusto escandente, podendo alcançar até 4m de comprimento. Toda a planta é revestida por tricomas escamosos e hialinos ou esbranquiçados. As folhas são opostas e opacas em ambas as faces. As flores são congestas, de coloração amarelo claro, com 5mm de comprimento, reunidas em densas inflorescências paniculares; o eixo principal da inflorescência pode medir mais de 1m de comprimento e comportar 20-45 flores, abrindo 5-10 flores por dia; as flores são tetrâmeras, subsésseis com hipanto tipicamente constrito na região mediana; os estames são 8 e dispostos em dois verticilos. O fruto é característico da espécie, apresentando quatro alas planas, medindo 2-3x1,8-2,5cm, as alas são estriadas transversalmente, com 7-10mm de largura larg. Apresenta apenas uma semente, 1-1,3x0,4cm, ovalada, 4-angulada.  

Parte da planta para uso: Raízes, caules, folhas, flores e frutos.

Constituintes químicos:  triterpenos [3β,6β,16β- -trihidroxilup-20(29) eno, ácido arjunólico, ácido mólico] e os flavonoides, 3-o-metilquercetina e 3-o-α-L-ramnopirosil-quercetrina. Foram identificados nos extratos etanólico das folhas e raízes a presença de mono e oligossacarídeos, ácidos graxos e triterpenos como componentes majoritários.

Formas de uso: As folhas, ramos e entrecascas do caule são utilizadas na forma de infusão, macerados, garrafadas ou lambedores, para o tratamento de tosses, diarreias, coqueluches, como expectorante, hemostático, calmante e sudorífico, lesões na pele; anti-hemorrágico e nos problemas decorrentes da retenção de Placenta

Indicações: apresenta importante ação antinociceptiva, atividades anti-inflamatória e analgésica, além de efeito antioxidante e genotóxico devido, possivelmente, à presença de flavonoides. Os frutos apresentam atividade leishmanicida e as cascas do caule apresentaram ação antiulcerogênica e moluscicida, contra Biomphalaria glabrata e B. stramine. Extratos elaborados com as flores de C. leprosum apresentaram atividade contra Plasmodium falciparum, abrindo a possibilidade para o desenvolvimento de medicamentos para o tratamento da malária. Pesquisas relataram que as folhas apresentam compostos com possível ação anticancerígena. Apresentam ainda, atividades anticolinesterásicas.

Observações: Diversos estudos demonstraram potencial farmacológico da espécie, sugerindo a eficácia dA Combretum leprosum em diversas atividades biológicas.

Referências bibliográficas

LORENZI, H. & MATOS, F.J.A. 2008. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2ª ed. Nova Odessa, Instituto Plantarum.

MAIA, G.N. Caatinga: árvores e arbustos e suas utilidades. São Paulo: D & Z Computação Gráfica e Editora. 1. ed., 2004, 413 p.

MAIA-SILVA, C.; SILA, C. I.; QUEIROZ, R. T.; IMPERATRIZ-FONSECA, V. L. Guia de plantas visitadas por abelhas na Caatinga. Fortaleza: Editora Fundação Brasil Cidadão, 2012.

SOARES-NETO, R.L.S.; LOIOLA, M.I.B. Flora do Ceará, Brasil: Combretaceae. Rodriguésia, 65(3), 685-700, 2014.

Profº. M.Sc. Décio Escobar

Sou professor de Biologia e Botânica, com Especialização em Fitoterapia, Especialização em Didática e Metodologia do Ensino Superior e Mestrado em Ciências Ambientais, atualmente com nove livros publicados.

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