PAVINA: alcaloide benzylisoquinoline encontrado na Chelidonium majus

 

Chelidonium majus (Quelidónia-maior)

Os alcalóides pavinos são um grupo de compostos químicos que são caracterizados pela presença de uma estrutura química específica conhecida como esqueleto pavino. Este esqueleto consiste em uma estrutura tetracíclica com dois átomos de nitrogênio e vários substituintes ligados aos diferentes átomos de carbono. Alguns exemplos bem conhecidos de alcaloides pavinos incluem pavina, isopavina, apomorfina e tetrahidropapaverolina. Esses alcaloides podem ser encontrados em várias espécies de plantas, principalmente na família Papaveraceae, que inclui as papoulas. Eles também estão presentes em algumas outras famílias de plantas, como Berberidaceae e Menispermaceae. 

Pavina

Os alcaloides pavinos têm atraído a atenção devido às suas potenciais propriedades medicinais. Por exemplo, a apomorfina, um derivado do alcaloide pavino tetrahidropapaverolina, é usada como medicamento para a doença de Parkinson. Ele atua como um agonista do receptor de dopamina, ajudando a aliviar alguns dos sintomas da doença. 

Pavina

A pavina é um alcaloide encontrado em diversas espécies de plantas, principalmente na família Papaveraceae. É um membro da classe dos alcaloides benzilisoquinolínicos e é conhecido por suas propriedades farmacológicas.  Possui uma fórmula molecular que pode variar dependendo do composto específico. É comumente encontrado em plantas como Papaver somniferum (papoula de ópio) e Chelidonium majus (celandina maior). A estrutura química da pavina é constituída por um núcleo de benzilisoquinolina, que lhe confere as suas propriedades características. Os alcaloides pavinos têm despertado interesse na pesquisa farmacológica devido as suas potenciais atividades biológicas. No entanto, é importante notar que propriedades e efeitos específicos podem variar entre diferentes alcaloides pavinos. Os alcaloides pavinos, particularmente aqueles encontrados na papoula do ópio, têm sido tradicionalmente usados por seus efeitos analgésicos (alívio da dor) e sedativos. Eles atuam no sistema nervoso central, visando especificamente os receptores opioides, que podem ajudar a aliviar a dor e induzir a sedação. Alguns alcaloides pavinos, como a papaverina, foram estudados por suas propriedades antitussígenas (supressoras da tosse). A papaverina é conhecida por sua capacidade de relaxar os músculos lisos, incluindo os encontrados no trato respiratório. Esse relaxamento pode ajudar a reduzir a tosse. Verificou-se que os alcaloides pavinos, incluindo papaverina e narcotina, possuem propriedades relaxantes do músculo liso. Atuam inibindo a enzima intracelular fosfodiesterase, o que resulta no relaxamento da musculatura lisa, inclusive dos vasos sanguíneos. Esta propriedade levou ao seu uso em certas condições médicas, como vasoespasmos e disfunção erétil. É importante observar que os alcaloides pavinos, particularmente os derivados da papoula do ópio, têm potencial para abuso e dependência. Esses alcalóides podem exercer efeitos psicoativos e são classificados como substâncias controladas em muitos países. O uso médico de alcaloides pavinos, é estritamente regulamentado e normalmente limitado a aplicações terapêuticas específicas.Como acontece com qualquer composto bioativo, é crucial realizar mais pesquisas para explorar toda a gama de efeitos e aplicações potenciais dos alcaloides pavinos. Estão em curso estudos para melhor compreender os seus mecanismos de ação e avaliar a sua segurança e eficácia em vários contextos terapêuticos.

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Profº. M.Sc. Décio Escobar

Sou professor de Biologia e Botânica, com Especialização em Fitoterapia, Especialização em Didática e Metodologia do Ensino Superior e Mestrado em Ciências Ambientais, atualmente com nove livros publicados.

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